segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ESPECIAL: OS MELHORES DISCOS DE 2012


O fim do ano é aquela época onde objetivamos tudo aquilo que não conseguimos fazer no ano que se despede. É o tempo de colocar no papel todas as coisas ainda por fazer e dar boas vindas com aquele gostinho de coisa nova. Também é o momento de fazermos uma retrospectiva daquilo que foi ou não proveitoso no ano. 2012 não poderia ser diferente para nós, claro. Foi um ano realmente bom na música, tanto em lançamento de discos quanto para estréias incríveis que prometem se destacar em 2013. É aqui que entramos com nossas listas de fim de ano, apresentando os discos que marcaram presença nos ouvidos e nas playlists de todo mundo.

Neste especial você irá conferir os discos que mais se destacaram (para nós) no ano de 2012. Tentamos listar os principais discos que marcaram o ano para o Pick Up The Headphones, seja no quesito "melhor álbum" ou no "mais ouvido". Vale ressaltar que este é, acima de tudo, um blog pessoal e que reflete diretamente a nossa opinião. Se listamos (ou não) algum álbum que merece (ou não) estar nesta lista, é porque temos bons motivos para fazê-lo. Confira abaixo a lista com descrição resumida do disco:

 01  FIONA APPLE » THE IDLER WHEEL...

Epic Records

 Fiona Apple quebrou o silêncio de praticamente sete anos sem lançar nenhum material novo. O novo disco da cantora foi batizado de The Idler Wheel Is Wiser Than The Driver Of The Scew And Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do, ganhando 23 palavras - título extenso como a própria gosta de fazer (vide as oito estrofes do título do segundo álbum When The Pawn). "Every Single Night" foi o primeiro single do disco e conta com a produção da própria em parceria com John Brion. Cortejada por apenas um piano e violão, a faixa é quase uma canção de ninar bonita e sentimental: "Cada noite sozinho é uma luta com minha mente, eu quero sentir tudo".

Para ver e ouvir: Every Single Night  (), Werewolf () e Valentine ().

 02  ALANIS MORISSETTE » HAVOC AND BRIGHT LIGHTS

Collective Sounds

Quatro anos após o Flavors Of Entanglement, Alanis Morissette retorna com um álbum que reflete mudanças. Os quatro anos de hiato serviram para se dedicar à sua própria relação como esposa, mãe e mulher. Com sua saída da Maverick (gravadora que lançou seus discos anteriores, cuja relação definiu como "abusiva"), ela lançou o álbum Havoc and Bright Lights em parceria com a Collective Sounds nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Guy Sigsworth e Joe Chicarelli, que deram uma "nova cara" às suas músicas, como ouvimos em "Receive", "Edge Of Evolution" e "Woman Down". Pode não ser o melhor disco de toda a sua carreira, mas ganha pontos pela sinceridade nas letras (como de costume) e temas como política, abandono, maternidade e amor.

Para ver e ouvir: Guardian (), Receive (), Woman Down () e Lens ().

 03  GRIMES » VISIONS

4AD

"Similarly, in musical terms, ‘Visions’ goes beyond electropop. Melody isn’t king here. Instead, tunes flap and flit in the wind, sunny and sinister, like a grinning Jolly Roger run up a mast. Although a reluctant pop star – she told NME she would rather be a Timbaland-style producer than the girl on the mic – Boucher is blessed with the ability to shape-shift from Mariah Carey-like five-octave warbler to growly doom-monger in the blink of an eye. Everything is soaked in Burial-like hiss and chatter, from which sharp keyboard lines occasionally snap like an angry crocodile. It’s too carefree to fit the post-electroclash bracket, too instinctual for the studied gloom of the cold-wave brigade, and far too urgent, too present, to have anything whatsoever to do with chillwave. Some have labelled Grimes as ‘ethereal pop’, which makes us think of bloody Enya. Besides, they’re wrong; it’s not that gossamer-thin, either". (Priya Elan, NME)

Para ver e ouvir:  Oblivion (), Genesis () e Nightmusic (feat. Majical Cloudz) ().

 04  TAME IMPALA » LONERISM

Modular Recordings

"Confiança é tudo quando você é um artista entrando em estúdio para criar um álbum que não pertence exatamente à realidade da música pop de hoje – e, ainda assim, querer que ele seja pop. Não sabendo que era impossível, ou sabendo que era possível mas talvez não recomendável, Parker foi lá e fez. E nem precisou filosofar tanto assim para saber do que precisava: reformular as canções que compôs em casa ou na estrada, para que tomassem as características do formato que o primeiro álbum já sugeria, com muita psicodelia, distorção, efeitos e voz de John Lennon. O resultado final então é pop? Claro que não. Mas é muito bom". (Iberê Borges, Move That Jukebox)

Para ver e ouvir: Elephant (), Feels Like We Only Go Backwards () e Apocalypse Dreams ().

 05  CAT POWER » SUN

Matador Records

Após seis anos desde o lançamento do último disco de inéditas (com excessão do trabalho com covers diversos), Chan Marshall aproveitou o momento difícil dos últimos anos para expôr o que sentiu durante o término do seu relacionamento. Ela mostra que ainda sabe fazer música boa com a ótima "Cherokee", canção que abre o novo trabalho. O grande lance aqui é a produção inteiramente tocada pela própria cantora, comprovando que suas raízes permanecem firmes e fortes. A canção revela os primeiros indícios do electroindie nas produções de Philippe Zdar, também responsável pela produção do novo álbum.

Para ver e ouvir: Cherokee (), Ruin () e 3,6,9 ().

 06  ELLIE GOULDING » HALCYON

Polydor Records

Halcyon é o segundo álbum da inglesa Ellie Goulding, lançado no dia 05 de outubro pela Polydor Records. Gravado entre os anos de 2011 e 2012, a produção deste trabalho conta com Jim Eliot, Billboard, Starsmith,  MONSTA, Mike Spencer e Justin Parker. O disco ainda conta com colaborações de Calvin Harris e Tinie Tempah. Elogiado pela crítica como um dos melhores lançamentos de 2012, Ellie Goulding revela-se madura nas composições e parcerias, conquistando os corações dos mais afoitos pela música pop sem rótulos.

Para ver e ouvir: Anything Could Happen (), Figure 8 () e I Know You Care ().

 07  PASSION PIT » GOSSAMER

Columbia Records

Três anos é o tempo que marca o lançamento do Passion Pit com seu debute Manners e o mais recente disco chamado Gossamer. Se antes o rock sintetizado e falsetes fizeram a sua música tornar-se o "hype do momento", agora eles retornam com mensagens positivas sobre as suas experiências durante todo este período de criação. A produção continua ensolarada, envolvente e pacificamente positiva, mas as composições trazem temas mais sérios como as responsabilidades de um pai de família em um país caro. Segundo Angelakos, o disco trata de assuntos mais autorais que falam sobre as dificuldades de cada membro nos últimos anos. Sua produção, porém, é digna da sua atenção: logo de início, abre espaço para a introdução divertida com tambores e um refrão fácil e repetitivo.

Para ver e ouvir: Take A Walk (), I'll Be Alright () e Constant Conversations ().

 08  BEACH HOUSE » BLOOM

Sub Pop Records

"Álbum conceitual? Não é pra tanto, mas Bloom se amarra de uma forma em que tudo está interligado, preenchido por belos interlúdios e pequenos ruídos, que agrupam todas as faixas em um grande bloco. Esse novo esforço do casal Victoria Legrand e Alex Scally gerou um disco que ao mesmo tempo em que se diferencia dos outros três produzidos pela banda, por seguir novos rumos, pega emprestado deles vários elementos que já deram certo antes. Diferente de seus outros trabalhos, nos quais tudo parecia sair da cabeça do casal, desta vez o Beach House incorpora muita coisa dos anos 60 (The Beach Boys, The Zombies e por aí vai) e essa mudança trouxe às músicas um toque mais amigável para as rádios. Não que esse disco seja uma versão radiofônica dos anteriores, mas certamente o Dream Pop das faixas de abertura Myth e Wild seriam perfeitas para as massas". (Nik Silva, Monkeybuzz)

Para ver e ouvir: Myth (), Lazuli () e Wild ().

 09  THE XX » COEXIST

Young Turks

"O tempo foi sem dúvidas o maior aliado na curta e bem resolvida trajetória do The XX. De todas as transformações que acompanharam a vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos, como o desligamento da baixista Baria Qureshi (que deixou o grupo ainda em 2009) além do carinho/pressão do grande público, a longa espera entre o primeiro álbum, XX, e o recente Coexist (2012, Young Turks) foi de maneira inegável a atitude mais inteligente aplicada pela banda – ou quem quer que esteja por trás do gerenciamento dela. O espaço temporal relativamente longo entre um trabalho e outro garantiu que o soturno debut pudesse ser absorvido com parcimônia e completude pelos mais distintos públicos, convertendo a bem diluída estreia dos ingleses em um clássico natural e imediato". (Cleber Facchi, Miojo Indie)

Para ver e ouvir: Angels (), Reunion () e Chained ().

 10  ICONA POP » ICONA POP

Universal Music

As suecas Icona Pop foram uma das revelações mais deliciosas do ano, que teve sua estréia aliada nas redes sociais. É cada vez mais visível a quantidade de artistas que surgem por todo o canto do mundo lançando músicas e vídeos bem produzidos por pouco: sua atenção. Foi o caso da dupla formada por Caroline Hjelt e Aino Jawo, que lançaram em 2011 algumas canções no Facebook e blogs (alguns quase independentes). O reconhecimento maior aconteceu neste ano com o lançamento do single "I Love It", uma das músicas mais reproduzidas nas rádios e pistas de dança do mundo inteiro. A faixa foi lançada no Iconic EP e também no primeiro disco (homônimo) da dupla, que teve seu lançamento em novembro somente na Suécia. Além das conhecidas, o álbum traz canções como o primeiro single do disco "We Got the World", "Wanna B With Somebody" e "My Party", uma versão dançante da música de Quincy Jones com colaboração do rapper Smiler.

Para ver e ouvir: I Love It (), We Got the World (), Nights Like This () e My Party ().

 11  THE ASTEROIDS GALAXY TOUR » OUT OF FREQUENCY

BMG

O The Asteroids Galaxy Tour se tornaram os "queridinhos indie" da América após o sucesso merecido no disco de estréia Fruit. A música "The Golden Age" entrou para um comercial da cerveja Heineken, exibido insistentemente na televisão durante o ano passado. De lá pra cá eles vieram tocar na última edição do Rock In Rio, que aconteceu no ano passado no Rio de Janeiro e chamaram a atenção ao anunciarem o lançamento do segundo disco chamado Out Of Frequency. Sua música é uma mistura entre o jazz, o rock sentista e elementos eletrônicos embalados por uma voz estridente de sua vocalista. Apesar desta mistura, o resultado é interessante, mas para poucos. Out Of Frequency ganha destaque por manter o fôlego e arriscar (mais uma vez) singles de sucesso. Apesar da crítica não ter recebido o álbum com tanto otimismo, ele ainda continua acendendo nossos corações.

Para ver e ouvir: Major (), Heart Attack () e Mafia ().

 12  VAN SHE » IDEA OF HAPPINESS

Modular

Quem acompanhou a trajetória do Van She desde o disco de estréia intitulado V, percebeu uma ligeira mudança na produção do novo álbum Idea of Happiness. Isto é natural para uma banda que fez sucesso com sua estréia - ou ela continua a mesma sonoridade do primeiro trabalho ou joga tudo para o alto e decide inovar. O Van She escolheu a segunda opção. Na verdade a banda está acompanhando o crescente cenário de bandas que lançam músicas inspiradas nas produções dos anos 80 e 90, resgatando toda o brilhantismo das disco clubs do mundo. O single que abre o trabalho é a faixa-título "Idea of Happiness", um synthpop melódico com traços da disco que não deixa ninguém parado.

Para ver e ouvir: Idea of Happiness (), Jamaica () e You're My Rescue ().

 13  SAM SPARRO » RETURN TO PARADISE

EMI Music

É realmente muito bom quando vemos algum artista crescer de um trabalho para outro. Sam Sparro foi um dos exemplos claros de amadurecimento no mais recente álbum Return to Paradise. Apesar de ter feito mais sucesso com sua estréia no disco homônimo de 2008 com canções como "Black and Gold" e "Cottonmouth", ainda prefiro sua fase mais recente. Sam apareceu em um momento onde a música pop e eletrônica estava em ascênsão e "hype" dava seus primeiros passos em direção a luz. Em 2012 ele aparece mais sério, comportado e "maduro", com músicas bem mais produzidas e letras mais sérias sobre relacionamentos e reflexão. Músicas como "I Wish I Never Met You", "Happiness" e "Let The Love In" merecem sua atenção.

Para ver e ouvir: Happiness (), I Wish I Never Met You () e Let The Love In ().

 14  THE PRESETS » PACIFICA

Modular

O The Presets tem o incrível hábito de mudar sua identidade entre um trabalho e outro como se fossem dois camalões da música eletrônica. Quem conhece o trabalho da dupla concordará com esta conclusão. De meninos do electroclash às experimentações mais inusitadas da música, eles fizeram do novo disco Pacifica mais um clássico da sua discografia. Se você gostou do penúltimo trabalho da dupla, Apocalypso (2009), talvez estranhará a sonoridade e proposta do novo disco. A produção está mais branda e calma do que o anterior, mas o feeling continua entre cada batida. Pacifica é um álbum de reflexões sobre política, ambiente, seres sobrenaturais e relacionamentos pós-modernos. Você precisa ter uma mente aberta para entender porque cada trabalho é diferente um do outro.

Para ver e ouvir: Youth In Trouble (), Ghosts () e Promises ().

 15  ELECTRIC GUEST » MONDO

Downtown Records

"You know how the saying goes, "if so-and-so didn't exist, they'd have to invent them!" Well, if a Downtown A&R came into a strategy meeting with the blueprint for Electric Guest, they'd be on workman's comp after all the back-patting. The buzzed-about L.A. band is pretty much a bulletproof combination of who you know and what you know-- lead singer Asa Taccone's brother Jorma is one of the songwriters in the Lonely Island, and they quickly caught the attention of the increasingly unstoppable Danger Mouse. But more important is that their sound perfectly anticipates a logical extension of the MGMT/Passion Pit/Foster the People trickle-down effect, composed like corporate pop, produced like radio R&B, and given a synth-and-guitar power trio presentation that somehow lets it scan as "indie rock." Add Danger Mouse and the fact that the slightly built, photogenic Taccone even dances a lot like Mark Foster, and how can this fail? Not surprisingly, their debut Mondo does turn out as something like a useful industry tool, but it's not so much a replicable schematic as it is a cautionary tale of what happens when a "hit record" forgets to actually include hits". (Pitchfork)

Para ver e ouvir: Troubleman (), This Head I Hold () e Amber ().

 16  MELODY'S ECHO CHAMBER » MELODY'S ECHO CHAMBER

Fat Possum

Apontada como uma das revelações mais importantes do segundo semestre, a francesa Melody Prochet, mais conhecida como Melody's Echo Chamber, apareceu meio que repentinamente sob a ajuda do líder do Tame Impala, Kevin Parker, na produção do seu disco de estréia homônimo. Não é difícil se apaixonar pela voz desta francesinha logo nos primeiros versos do seu single de estréia "I Follow You", posso até arriscar em dizer que o seu trabalho é uma mistura da música psicodélica com o que tem surgido na música indie desde o início desta década. Podemos dizer também que o Melody's Echo Chamber é uma banda de uma garota só, uma mistura entre o som delicado do finado Camera Obscura com os acordes dos pais Tame Impala - uma combinação que deu muito certo, por assim dizer. "I Follow You" é nostálgica, brilhante, delicada e reflexiva, assim como a voz de Melody. Se há uma coisa que você deve atentar-se no trabalho dela, além da música, é o primeiro clipe da sua carreira dirigido por Laurie Lassalle: "um clipe subaquático mergulhado em uma paleta de cores psicodélicas", como a própria diretora gosta de dizer.

Para ver e ouvir: I Follow You  () e You Won't Be Missing That Part Of Me ().

 17  CITIZENS! » HERE WE ARE

Kitsuné

Os londrinos da banda Citizens! viram o sol brilhar mais forte em 2012. Seu disco de estréia, chamado Here We Are, foi um dos álbuns mais esperados do ano. Os motivos são bem óbvios, começando pela música que lançou a banda: "True Romance", uma balada synth-rock envolvente com letras e produção impecável. A faixa ganhou dois vídeos, sendo o segundo o mais destacado pelos fãs. A produção do disco ficou a cargo de ninguém menos que Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand - o que coloca uma responsabilidade grande para a estréia do Citizens!. Sem contar que a banda foi eleita como uma das apostas de 2012 pela NME e o seu trabalho foi lançado pelo selo francês hype Kitsuné. No final das contas, Here We Are acaba sendo um dos melhores álbuns de 2012 pela soma de acertos e erros.

Para ver e ouvir: True Romance (), (I'm In Love With Your) Girlfriend () e Reptile ().

 18  AZEALIA BANKS » 1991 EP / FANTASEA

Polydor Records / Interscope

Azealia Banks não é só uma "máquina de lançar músicas novas", como também é uma das revelações mais deliciosas da segunda metade de 2011 e 2012. Para quem não se lembra, a rapper conquistou corações e pistas de dança com o hit "212" - uma mistura entre o instrumental de Lazy Jay e versos bem colocados criados pela própria cantora (que também gosta de ser chamada de letrista). Em 2012 vimos sua ascenção na música comercial com o lançamento do primeiro registro 1991 EP e a mixtape Fantasea, um compilado de 19 canções que ela gosta de chamar de "trabalhos não acabados e retalhos de coisas antigas que merecem ser ouvidas". Apesar de não ser um registro com a proposta de lançamento mundial, o trabalho conseguiu se destacar com ótimas canções e parcerias de sucesso. Trata-se de uma prévia do que os fãs irão encontrar no seu primeiro (e definitivo) disco de estréia a ser lançado no próximo ano. Destaque para as canções "Fantasea", "Fierce", "Esta Noche" e "Fuck Up The Fun", produzida por ninguém menos que Diplo.

Para ver e ouvir: Luxury (), Fierce (), Esta Noche (), 1991 () e Van Vogue ().

 19  TULIPA RUIZ » TUDO TANTO

Independente

"Com 11 canções que totalizam 44 minutos, "Tudo Tanto" é um passo adiante na carreira da cantora. Tulipa não ficou vivendo da inércia do sucesso do disco de estreia. Ela ousou, experimentou. E isso é um acerto mesmo se o resultado não for lá aquelas coisas. No caso de "Tudo Tanto", o resultado é ótimo. Algumas canções são 'fáceis', por assim dizer, como "É", mas não são exatamente canções pop. Tulipa mostra mais. Quando abusa dos agudos, como em "Víbora", pode não agradar a todos - muitos se lembrarão de Tetê Espíndola nesse momento. O mesmo vale para os gritos a lá Yoko Ono de "Like This". Mas o desespero que a interpretação revela na primeira e o inusitado que choca na segunda criam a personalidade única da artista. Essa interpretação, a forma como às vezes pronuncia os erres - nos versos "E deixa ela passar por sua goela / E transbordar da boca" de "Cada Voz", por exemplo - e a maneira como explora temas cotidianos mostram uma Tulipa livre". (Território da Música)

Para ver e ouvir: É (), Quando Eu Achar () e Like This ().

 20  LANA DEL REY » BORN TO DIE

Interscope Records

Definitivamente o ano foi de Lana Del Rey. A cantora e compositora estadounidense começou sua carreira lançando vídeos caseiros no Youtube com suas músicas. "Video Games" foi uma das primeiras canções que ouvimos e a partir daí foi amor à primeira "ouvida". Não demorou muito para o seu sucesso alavancar com o lançamento do (tão esperado) disco Born to Die. A faixa-título abriu portas para uma super produção de Yoann Lemoine, mais conhecido como Woodkid. Lana Del Rey foi a celebridade mais mencionada e procurada na internet. Seu reconhecimento oscila entre as péssimas apresentações ao vivo e os ótimos vídeos, que mais parecem curta-metragem de um grandioso filme romântico. Além disso, foi neste ano que a cantora foi convidada para estrelar as páginas do catálogo da marca de roupas H&M, onde vêem Lana como "uma mulher feminina moderna com uma atitude delicada" que se tornou rapidamente um "ícone de estilo". Em novembro, a cantora relançou seu disco de estréia com mais oito canções inéditas, dentre elas "Blue Velvet" (a antiga canção usada no filme de David Lynch) e o single mais recente "Ride". O relançamento ganhou o nome de Born to Die: The Paradise Edition.

Para ver e ouvir: Video Games (), Blue Jeans () e Blue Velvet ().

 21  NIKI AND THE DOVE » INSTINCT

Sub Pop

"It's a universal pop truth that songs about the thrill of the club rarely live up to the urgent abandon induced by a night's hard dancing. Two years ago, Swedish duo Niki and the Dove-- aka Malin Dahlström and Gustaf Karlöf-- struck a rare and peculiar seam with the release of their debut single, "DJ, Ease My Mind", on British indie label Moshi Moshi. Over militaristic clattering drums and swathes of pristine synthesizers (think the Knife's precision blown up to Eurovision Song Contest size), Dahlström pleads, "I want to forget, I want lights to blind me... I want to disappear," imploring the DJ to let calm flood her soul by playing a jam that takes her back to a time laced with romantic triumphs. "DJ…" is spectacular because it doesn't just feel like a song made for your own euphoric moments in the wee hours; rather, it's a force that bolts your heart to Malin's and forces it to pulse along with hers. Two years in the making, Niki and the Dove's debut album, Instinct, has a borderline greedy hit-rate where all 12 of its songs (not counting the two bonus numbers on the U.S. release) manage to be equally arresting, flitting between the sound of Fleetwood Mac, Prince, Cyndi Lauper, and trashy Europop, while delighting in tiny but pivotal moments, sites of emotional precipices and tremendous, history-making passions" (Pitchfork)

Para ver e ouvir: The Drummer (), Tomorrow () e Mother Project ().

 22  JESSIE WARE » DEVOTION

Universal Music 

Jessie Ware foi uma das poucas e boas surpresas de 2012, lançando seu primeiro disco chamado Devotion pela Universal Music. Dream pop, minimalista e com pitadas da música soul, o trabalho da britânica começou na internet após divulgar seus dois primeiros singles "Running" e "110%". Não faltou muito para ela ser comparada à nigeriana Sade e a (também novata) Lana Del Rey. Seu estilo e atitudes no palco também demonstram ser uma versão mais renovada de Sade - exibindo elegância e luxo por onde passa. “Sofisticado, suave e sensual” foram os adjetivos usados pelo Guardian para definir Devotion, antes de lhe atribuir nota 4 de uma escala de 0 a 5.

Para ver e ouvir: Running (), 110% () e Wildest Moments ().

 23  ALT-J » AN AWESOME WAVE

Infectious Music

Formado por Gwil, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green, a banda Alt-J foi formada em 2007 quando ainda estavam na universidade na cidade de Leeds. O tempo de convivência e a intimidade proporcionaram um clima confortável e criativo para decidirem qual seria o rumo da banda. Durante os cinco anos de existência, foram atualizando suas redes com canções que iam compondo gradativamente, porém o diferencial estava na mistura de estilos. Rompendo as barreiras das definições de gênero, o Alt-J mistura vocais em falsete, hip hop, elementos eletrônicos, guitarras melodiosas em uma atmosfera moderna e atemporal. "Fitzpleasure" é uma canção indie pop deliciosa que evoca as mais belas inspirações na arte do belga Wim Delvoye.

Para ver e ouvir: Fitzpleasure (), Tessellate () e Breezeblocks ().

 24  WALK THE MOON » WALK THE MOON

Sony Music

Se você estava procurando ouvir alguma coisa realmente boa durante as próximas semanas seguidas, recomendamos muito esta banda de Ohio chamada Walk The Moon. Eles não são novatos na música underground, começam a carreira em meados de 2009/2010 com o lançamento do primeiro disco chamado I Want! I Want! - que não vingou muito bem na época. Ano seguinte lançaram a canção "Anna Sun" como uma das primeiras composições após contrato com a RCA Records. A faixa entrou para a lista das '30 canções que você deve ouvir neste verão', da Esquire, em 2011. Logo após a MTV passou a exibir o seu clipe e a faixa foi tema de um famoso seriado da TV. Com uma produção animada e divertida, típica canção indie rock que arrebata seguidores de forma instantânea, a canção "Tightrope" é uma dessas canções que você irá colocar no repeat.

Para ver e ouvir: Anna Sun (), Lisa Baby () e Tightrope ().

 25  THIAGO PETHIT » ESTRELA DECADENTE

Independente

"“Deixe-me só com o meu choro/Deixe-me só com a minha dor/Pra mim, nada serve de consolo/Deixe-me só, meu amor”. É assim, em um misto de desabafo e pedido de atenção, que a faixa-título de Estrela Decadente se desenrola em meio a guitarras incorporadas à pegada “cabarezística” que já conhecemos do trabalho de Thiago Pethit. Esse refrão revela muito do eu-lírico, um personagem egocêntrico e carente, que narra o disco em primeira pessoa com muita teatralidade e em um certo “jogo de sedução” com o ouvinte (...) Com faixas curtas e esse dinamismo das variações, Estrela Decadente é um álbum rápido de se ouvir e vem na medida certa para a voz que canta seus versos chamar a atenção e intrigar o ouvinte para que ele vá atrás para conhecer mais de seus segredos, desabafos e encantos. Thiago Pethit mostra-se um intérprete maduro para vestir a máscara do personagem central da obra sem deixar claro nas músicas se também encena em primeira pessoa, ou se sua performance está no “faz de conta” que a narrativa sugere". (André Felipe de Medeiros, Monkeybuzz)

Para ver e ouvir: Pas de Deux (), Moon () e Dandy Darling ().

 26  WHOMADEWHO » BRIGHTER

Kompakt

"Since the demise of LCD Soundsystem, a gap has been left on the so-called disco-punk scene, and for many it seemed oddball Danish band and all-around partyers WhoMadeWho were the ones to fill it. Fair enough: they have the background, the connections and the talent to step into the breach. That said, the fact neither Tomas Barfod, Tomas Høffding or Jeppe Kjellberg is a truly charismatic and distinctive frontman à la James Murphy was always going to be a problem, despite the rather unique combination of voices they can offer. They work best as a propulsive, funk-fueled combinatory collective anyway, as they proved last year on Knee Deep, a mini-album filled with new-wave-pop-meets-Teutonic-house nuggets they released—surprisingly enough—on Kompakt. Yet, as the "Every Minute Alone" single reiterated with a mercurial remix from Michael Mayer (not to mention Tale of Us or Life and Death's own ominous takes), WhoMadeWho's music can transfer quite well to the more discerning dance floor, as it is now clearly their ambition. New album Brighter furthers these leanings and parades the band's flair as much as their limits". (Stephane Girard, Resident Advisor)

Para ver e ouvir: Inside World (), Greyhound () e Running Man ().

 27  TWIN SHADOW » CONFESS

4AD

Confess, o segundo disco do produtor George Lewis Jr., mais conhecido como Twin Shadow, pode não ser considerado uma das melhores produções deste ano, mas ganha destaque entre lançamentos que apostaram na mesma sonoridade oitentista do músico e produtor. O resgate da New Wave parece ser um assunto datado nos dias atuais, mas poucos merecem o devido destaque como o último disco do Twin Shadow. Ao mesmo tempo que o álbum passeia entre a estética do passado, ele também pode ser considerado um disco "moderno", ou pelo menos tenta ser esta visão incerta do que é moderno nos dias atuais. Ele sabe que, antes de tudo, é preciso saber conversar com a geração de hoje - e isso ele faz muito bem.

Para ver e ouvir: Golden Light (), Five Seconds () e You Can Call Me On ().

 28  SILVA » CLARIDÃO

Slap

Lúcio da Silva Souza, mais conhecido como SILVA, lançou neste ano o elogiado álbum Claridão - uma continuação do EP lançado anteriormente. Seu trabalho dispensa apresentações, uma vez que sua música foi (e ainda é) uma das mais faladas de sites e blogs especializados em música. Passeando entre a chillwave, música eletrônica e synthpop, o cantor parece despreocupado quanto às suas raízes brasileiras e aposta em uma produção mais envolta na cena indie underground, como foram os trabalhos de James Blake, Passion Pit e (em alguns momentos) Beirut.

"O álbum de estreia de Lúcio da Silva Souza é um acerto sincero, esforçado e nada preguiçoso, como todos os discos deveriam ser, e por isso é tão espantoso isso ter que ser exaltado como excepcional. Nas mãos de SILVA, parece obrigatório (e fácil)". (Iberê Borges, Move That Jukebox)

Para ver e ouvir: 2012 (), Falando Sério () e A Visita ().

 29  BAT FOR LASHES » THE HAUNTED MAN

EMI Records

"As a result of her upward trajectory Khan's third opus comes with expectations heaped upon its shoulders, whose dead weight would roughly approximate that of a naked man. It's worth unpacking the album's startling Ryan McGinley cover art. Khan has stated in interviews that she wanted to distance herself from the played-out headdress fetish and create an iconic image that recalled Patti Smith or PJ Harvey. On the one hand, The Haunted Man's cover is terrific. The mighty huntress Diana has nailed a large kill. On the other, Khan's still naked – how the media prefers to market its women. The best thing about it is her expression, neither triumphant nor cutesy, just captured herself in the act of capture. The album is Khan's strongest yet. The superlative pizzicato plunk of All Your Gold is virtually chamber R&B. In the lyrics, Khan is weighing up a relationship. "Never see the big church steeple when I call you on the phone," she confesses. But "he's a good man". What to do?". (The Guardian)

Para ver e ouvir: All Your Gold (), Marilyn () e Laura ().

 30  CLOCK OPERA » WAYS TO FORGET

Universal Music

 O Clock Opera é um dos exemplos mais recentes de bandas que começaram lançando remixes para outros artistas. Não demorou muito para que divulgassem os primeiros singles na internet e chamar a atenção daqueles que já vinham acompanhando seu trabalho mesmo que em remisturas. Ways To Forget é o primeiro disco dos ingleses, onde busca suas inspirações no synth-rock e na música eletrônica. O resultado é um trabalho que incorpora muitas batidas, barulhos e experimentações, deixando o álbum dançante, acessível e possivelmente artístico. O álbum certamente agradará aos ouvidos de quem curte Metronomy, Wild Beasts e Everything Everything.

Para ver e ouvir: Once and For All (), Lesson N. 07 () e The Lost Buoys ().